 Elizeu de Lima
Meu Compadre Elizeu de Lima, Um Raro Amigo! Faço questão de registrar aqui: Tenho a honra de ser amigo e compadre do Poeta e Chargista pernambucano Elizeu de Lima! Mas... quem é Elizeu de Lima??? Um poeta, pelo que escreve e canta, Um artista, pelo que traça e desenha, Um Cantador, ( não um cantor ), pelas raízes nordestinas. Salve, Carpina!... Salve, Pernambuco!... Um guerreiro, pela força imensa do que traça, em linhas ou em letras! Um retirante, por suportar viver em São Paulo, tão longe do Sertão! Um forte, posto que todo sertanejo o é! E, sobretudo, um irmão, pelo muito que temos em comum, tanto na Vida, quanto na Poesia! Querem uma prova?... Pois leiam, abaixo, uma Peleja entre nós dois, no estilo "Galope a Beira Mar", travada na Comunidade Projeto Cordel. ( Orkut ). Conheçam, bem de perto, o Poeta Elizeu de Lima: Os Muitos Matizes da Esperança. Peleja entre Compadre Lemos e Elizeu de Lima Compadre Lemos: Compadre, sugiro, então um Galope, Daqueles bem belos, com muita emoção, Mostrando pro povo que aqui, no Sertão, Tem gente que canta, na baixa e no tope! O tema, eu tiro do meu envelope E, lendo pro povo, começo a explicar: É sobre a Esperança que vamos falar, De todas as formas que ela nos vem... Se para o Compadre estiver tudo bem, Cantemos Galope, na beira do mar!... Elizeu de Lima: Apois, Meu Compadre, a Esperança é um trem, Que está com o pintinho, lá dentro do ovo! Está pelas ruas, nos olhos do povo, Que passa com pressa, que vai e que vem! Tá na Palestina e em Jerusalém, Com os homens de fibra daquele lugar; No espermatozóide que quer fecundar, Está no sorriso de uma criança... Ela é nossa amiga, a nobre Esperança Que a todos alcança na beira do mar! Compadre Lemos: E chega no bote que o vento balança, E chega no carro, na estrada de terra, E chega no homem, que volta da guerra, E chega Quixote e também Sancho Pança! E chega no canto, que traz a lembrança, E chega no anúncio, que vem propagar Que o novo salário vai dar pra pagar Comida, remédio, barraco e escola... E chega no verso, na feira, na esmola Do cego poeta, na beira do mar!
Elizeu de Lima: Vai no avião que corre e decola, Vai numa chalana, descendo no rio, Vai com o vaqueiro, guerreiro bravio; Vai com o violeiro, em sua sacola! Na hora do chute, vai junto com a bola; Na hora do parto, não pode faltar, Vem com a criança, que põe-se a chorar, Dizendo pro mundo que a vida prossegue. Ela está presente, por mais que se negue Nos dez de galope na beira do mar!! Compadre Lemos A tal da Esperança, por mais que se pregue, Só fica distante, na voz do "Doutor". Mas chega pra perto, se um bom Cantador Não foge da luta, nem dá por entregue! E chega cansada, no lombo de um jegue, No laço, na sela, num belo aboiar, No braço, na vela, no forte remar, Mas chega somente pra quem, desde cedo, Não conta mentira, não trai um segredo, Nem morre de medo, na beira do mar! Elizeu de Lima: Eu vejo e Esperança num pé de arvoredo, Nas gotas de orvalho que caem do céu, Quando a noite desce o seu negro véu E o dia se esconde, por trás do rochedo! Eu vejo a Esperança no alegre folguedo De alguns vaga-lumes brilhando no ar; Nos olhos do mocho, num galho, a piar, Na espera da presa que lhe mate a fome, Eu vejo a Esperança dizendo meu nome Num sonho agradável, na beira do mar! Compadre Lemos: E olhe a Esperança no ódio que some, Largado, minguado, envolto no amor! E olhe a Esperança no cheiro da flor, No pão que se planta e no pão que se come! E olha a Esperança na voz que diz: -- Tome! E sente alegria no gesto de dar. E olhe a esperança, quieta, a rezar A reza mais linda chamada amizade! E olhe esperança virar caridade, Na mão que alimenta, na beira do mar!... Elizeu de Lima: Quem pensa em pagar todo o mal com bondade, Quem pensa ajudar sem pedir nada em troca; Quem olha pro céu e a Deus sempre invoca Pra que Ele ajude a toda a Humanidade! Quem preza o amor e quem tem piedade, Quem diz a verdade, sem medo de errar; Estende sua mão e só quer levantar Um seu semelhante caído e doente Tem sempre a esperança consigo presente Nos dez de galope na beira do mar! Compadre Lemos: Eu tenho esperança de ter, no Repente, Seu canto dolente e estou a caminho. Eu tenho esperança de ser canarinho, Que o canto mais lindo enleva essa gente! Eu tenho esperança que o medo insistente, Um dia, esquecido, pra trás vai ficar. Eu tenho esperança de ainda cantar Com alguém que me ensine a ser genial, Que nem Patativa, Elizeu, Docival Poetas divinos, na beira do mar! Elizeu de Lima: Espero que um dia Deus dê Seu aval Pra que eu possa ir e cantar pelo mundo Mostrando pro povo Seu amor profundo Nas coisas que vejo no mundo real. Cantar cada planta e cada animal, As flores tão belas, no campo a brotar; As frutas maduras, o gado a pastar, O canto das aves que cruza os espaços E os rios que correm terrenos escassos Pra cair nos braços das águas do mar! Compadre Lemos: Espero pra ver, pelo chão, entre abraços, Os frutos que faltam pra felicidade: Sementes de escola, de fraternidade, De versos, poemas, figuras e traços! Os grãos da alegria, sem dores, cansaços, Sementes dos cantos que venham contar Histórias das gentes do nosso lugar, Sementes de fato, que virem comida, Espero pra ver nossa gente sofrida, Plantando e colhendo, na beira do mar! Elizeu de Lima: Espero viver para ver a batida, Martelo da paz, já ditando a sentença, Dizendo que guerra nenhuma compensa E por isso mesmo vai ser abolida! Somente uma guerra será permitida, Na qual todo mundo tem que guerrear, Será a tal batalha que vai preservar A Mãe Natureza, que pede socorro! Depois de ver isso, eu me deito e morro, E volto pro céu, pela beira do mar! Compadre Lemos: Espero inda ver, na TV, lá no Morro, Cordel, Cantoria, Folclore e Cultura, Poesia bonita, com a rima tão pura, Em vez de batalhas de Tonto e de Zorro! Espero cantigas de um tal Nêgo Forro, O povo aprendendo e podendo ensinar. A tela já sendo uma escola no lar, Que venha suprir essa grande carência Do velho, do novo, saber e ciência De um povo que pensa, na beira do mar! Elizeu de Lima: Então, seu desejo é uma excelência, Espero que possa tornar-se real! Que em fevereiro, um bom carnaval Só seja a alegria e não a indecência! Que o nosso país seja sem violência, E o reino do crime comece a acabar; Que o monstro da droga não entre no lar E que Deus restaure a santa família E mude a postura dos "lá de Brasília" Pra que o Brasil cresça, na beira do mar! Compadre Lemos: Espero, Compadre, essa luz que já brilha: Na escola da vida vai ter Informática! Espero se instale, de vez, essa prática Pra aquele que ainda não segue essa trilha! E sonho também que, a toda família, Cultura da gente se venha ensinar Por meios modernos, pra proporcionar Ao pobre o recurso que ao rico se deu... Espero inda ver, meu Compadre Elizeu, Zé Povo mais culto, na beira do mar! Elizeu de Lima: Pois hoje, só o rico é quem vai pro Liceu, Mantendo seu nome do topo da lista! Espero que um pobre gari ou frentista Também possa dar a qualquer filho seu Um ensino que ele jamais recebeu, As classes podendo, afinal, se igualar E tenham direitos iguais pra lutar Por uma existência que seja mais nobre! Pois num país rico não pode haver pobre, Morrendo de fome, na beira do mar! Compadre Lemos: Espero que o pai sofredor não se dobre, Receba a ajuda, o trabalho, a instrução E crie seus filhos, já tendo a noção Que aqui no Brasil não tem falta de cobre! Espero um Poder que se torne mais nobre, Que a renda divida, sem nada roubar. Espero que aprenda, pra compartilhar, Pedaços iguais para o pobre e o rico... Espero sonhando, sabendo que fico Chorando um galope, na beira do mar! Elizeu de Lima: Eu, como poeta, não fecho o meu bico E nem abdico da minha revolta! Eu faço um poema e ele se solta, Voando veloz, gavião, tico-tico! Me ajunto aos demais, e assim multiplico As vozes que cantam não querem calar. Se os grandes irão meu refrão escutar, Aí já não sei, mas eu fiz minha parte, Pois minha bandeira, o meu belo estandarte, Eu trago é na arte, na beira do mar! Compadre Lemos: Espero que o mundo inteiro descarte O ódio, o medo, a geral violência, Trocando esses males, de sã consciência, Por Canto, Poesia, por Dança e por Arte! Espero não seja preciso ir a Marte, Buscar um amor que aqui deve estar! Espero ver mão estendida e apertar Sinal de amizade, carinho e respeito... Espero que a Terra, Meu Deus, tenha jeito, No embalo das ondas, na beira do mar! Elizeu de Lima: Espero o amor renascendo no peito E que todo errante encontre caminhos; Que existam mais flores e menos espinhos E as balas das armas se façam confeito; Que os vereadores, também o prefeito, Não usem seus cargos só para enrricar E que os deputados, enfim, possam dar Orgulho pro povo que os elegeu. Vou ver a Esperança dizer que venceu O medo que assombra, na beira do mar! Compadre Lemos: Espero sentado, Compadre Elizeu, Pois sei que demora pra vir tudo isso. Porém, a Esperança é o meu compromisso, Espero e escrevo, o poeta sou eu! O mundo violento não me convenceu Eu sei que a paz, bem no fim, vai voltar. E quando, Compadre, esse dia chegar, Levanto e meu canto bandeira se faz, Dançando e chorando e deixando pra trás Os dias de guerra, na beira do mar! Elizeu de Lima: Eu sonho acordado com um tempo de paz, Sem armas, sem mortes, sem sangue inocente; Sem fome, sem medo, sem pobre e doente; Sem aids, sem câncer nem pó de antraz; Pois sei que o homem ainda é capaz De unir suas forças e juntos lutar Por um novo mundo, um novo lugar Em que os seus filhos já cresçam felizes, Sem dor, sem feridas e sem cicatrizes, Nos dez de galope na beira do mar! Compadre Lemos: E onde não haja nem mais os deslizes Que a gente comete, sem nem refletir. Nem mesmo um do outro se fique a sorrir, Num mal que se mostra, em diversos matizes! E onde se busque o irmão, nas marquises, E se lhe dê pão, sem, porém, lhe humilhar! E onde o que importe é só mesmo ajudar, Conforme o que ensina o Bom Mestre Jesus: "Amai uns aos outros", na busca da luz Que brota do peito, na beira do mar! Elizeu de Lima: Espero pra ver a Mensagem da Cruz Surtindo efeito no peito do homen! Que a fome não fira o rotundo abdômen Das pobres crianças que o mundo produz! Espero que Obama, no bem, faça jus A toda essa fama que veio a ganhar; Que a guerra em Gaza se venha aplacar, E que palestinos se juntem a judeus, E que a Ciência não queira ser Deus, Que é dono de tudo, na beira do mar! Compadre Lemos: Espero que os filhos que hoje são meus, Partindo pra vida, já possam viver Um mundo mais belo, melhor de se ver E ser partilhado, entre crentes e ateus! Que não mais importe se são Saduceus, Brazucas, Galegos, ou de outro lugar, Porque crer em Deus não é discriminar, Pois todos viemos de um Mesmo Pai, Que manda o recado: "Uns aos outros amai", Amigos, fraternos, na beira do mar! Elizeu de Lima: Quem tem esperança e fé nunca cai, Mas mesmo caindo, depressa levanta! Se falta o café, o almoço e a janta, Por culpa em Deus, esse homem não vai! Aprende com a prova e dela ele extrai Mais ânimo e força pra continuar; E à noite, no quarto, se vai se deitar, Ja dobra os joelhos e faz uma prece, Até pela angústia a seu Deus agradece E Deus lhe abençoa, na beira do mar! Compadre Lemos: Espera e alcança quem nunca se esquece, Esquece e reclama quem foge da raia, Pois raia o meu dia pro aplauso ou pra vaia, E valha-me Deus, quando isso acontece! Espera quem sofre, quem chora e padece, Comece o seu dia tentando esperar. E diga, com força, eu também vou chegar No topo do monte, no fim dessa trilha, Buscando a estrela-esperança que brilha, No escuro da noite, na beira do mar! Elizeu de Lima: Nem só de alegria, de paz, maravilha, É a vida da gente, aqui neste mundo! Existe o ricaço e o moribundo, O que é humilhado e aquele que humilha; Aquele que nega e o que compartilha O pão com o irmão, o que vive a penar! Porém eu espero ver tudo mudar E ver o amor já vencendo a cobiça, Ver mais transparência na nossa Justiça, Que está muito omissa, na beira da mar! Compadre Lemos: Da palha bonita se faz a treliça, Da boa semente se faz plantação, Da voz, da viola, se faz o refrão, Da raça mais pura se faz a mestiça! Do vinho, da Hóstia, se faz boa missa, Da dor de viver eu já fiz meu cantar. Agora, compadre, só resta esperar Do canto da gente se faça o futuro, Que o nosso repente, então, desça do muro, Guiando o descrente, na beira do mar! ************************************************** Dando por encerrada a Peleja, os dois poetas se despedem, em duas estrofes de "Quadrão Mineiro". A escolha do novo estilo foi do Compadre Elizeu de Lima, numa elegantíssima homenagem ao parceiro Compadre Lemos. Vamos ao "fecho": Elizeu de Lima: Seu galope, eu asseguro, Brilhou igual ouro puro, Reluzindo no escuro; Foi fogueira no terreiro! Já o meu, não deu pro cheiro, Foi igual fogo-de-palha... Mostre então sua fornalha, Cantando Quadrão Mineiro! Compadre Lemos: Vaqueiro que o boi atalha, Que canta forte e trabalha, És o herói desta batalha, Sou teu fiel escudeiro! Te seguindo, o dia inteiro, Suando, no sol a pino, Aprendo teu canto fino, Cantando Quadrão Mineiro! ************************************** Bom... Não precisa dizer mais nada! A não ser: Obrigado, Compadre Elizeu, pela honra de cantar contigo! Deus te abençoe!... ************************************** Endereço desta Peleja, no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=36861089&tid=5292338524494828829&na=1&nst=1 Perfil do Poeta Elizeu de Lima, no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=13019805240202824170
 *************************************** Assinam: e  Elizeu de Lima
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