Fora da Caridade não há salvação!
 

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O Poeta?... Um girassol, sempre em busca da luz!

Meu Diário
15/10/2011 01h08
O Causo das Cobra Trocedôra!






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O Causo das Cobra Trocedôra!
 
 
Acá! Hoje eu vô contá um causo procês, mais vai tê qui sê um causo piqueno, móde eu pudê contá bem digêrin!

É purquê eu tenho um compromisso marcado. Daqui a puquim eu vô lá pra casa do meu Cumpade Zé Caulo, móde nóis assisti um jôgo do Cruzêro, na televisão nova qui ele comprô.

Cês num repara não, mais o dia qui o Cruzêro joga, eu quaje qui num cunsigo fazê mais nada! Mió qui um jôgo do Cruzêro, só um jôgo do Cruzêro no mêi duma pescaria! Cês já ispromentô?

Cês num sabe o quê cocês tá perdeno!

 
O úrtimo jôgo de futiból qui eu iscuitei, pelo ráidio, na bêdurri, teve inté trucida de cobra! Cês prestenção, qui eu vô contá o causo.
 
E êsse causo, eu quero dedicá pro meu Cumpade Rildo Moura, brasilêro, minêro e cruzerense arretado, qui mês morano lá nos Istado Zunido, num dêxa de assisti um jôgo do Cruzêro!
 
Antão, procês tudo e, mais ainda, pro meu Cumpade Rildo Moura,
 
O Causo das Cobra Trocedôra!
 
Cupade, eu peço a paláva,
Móde contá uma façanha
Qui aconteceu comigo,
Nunca vi coisa tamanha!
Num foi caus de canturia,
Nem repente, nem puisia,
Foi, foi uma pescaria,
Num tal de Ri das Piranha!

 
Tem pescadô qui se acanha
De levá pá bêdurri
Muitha coisa, mutha traia,
A móde se diverti.
Já eu, nun sei sê anssin,
No dia quêu tô afim,
Eu levo inté meu raidin
Quêu gosto muntho de ovi.
 
Barraca, móde drumi,
Pudeno, eu levo tomém!
Cuzinha, eu levo compreta,
Pois eu cunzin muntho bem!
Levo gaiz e fugarêro,
Levo tudo qui é tempêro,
Levo luz de candinhêro,
Farta nada pra ninguém!
 
Apois, antão, muntho bem,
Eu arrumei minhas traia!
Pois sem arrumá, eu sei,
Qui a coisa bem num trabaia.

E fui pá tal pescaria.
Mais fui só, pois Zacaria
Na hora, diss qui nun ia,
A móde um rabo-de-saia.
 
Ele, antão, foi pa gandaia,
E eu sigui meu camim.
Sem ligá muntho praquilo,
Quem tá cum Deus, num é sozin.
Apotregido do sol,
Joguei nágua o meu anzol,
E, pra iscuitá futiból,
Eu liguei o meu raidin.
 
Purquê, cumigo, é anssin:
A móde qui sô minêro,
Aprecêio futiból,
Gosto muntho do Cruzêro,
Quano eu tô nas pescaria
Meu raidin me oxilia
A iscuitá, cum aligria,
Um futibolzin manêro!
 
O ráidio é bão cumpanhêro,
Eu sempe levo um, nas traia.
Ocê ovino baxin,
O barúio num trapaia.
E ali, naquele dia,
Tava do jêit quêu quiria,
Futiból e pescaria,
Bem mais mió qui gandaia!

Dibaxo de parma e vaia,
O Cruzêro, nesse dia,

Jogava conta o Framengo,
E eu pescava e trucia.
O azol, já bem iscado,
Nágua fria marguiado,
Mas o gôl, esse danado,
Cumo os pêxe... não saía!

Premêro tempo já ia,
Zero a zero, no pracá.
Os pêxe num biliscô,
E eu ali, só no  isperá.
Segundo tempo começa:
E o Cruzêro, cum pressa,
Me pregô foi uma peça,
Quano um gôl deu de tomá!

 
Pois Fábo dexô passá
Uma bola rastirinha,
Qui um tár de Lóve chutô,
Quaje qui inriba da linha.
São Jusé do Mamulengo!
Um a zero pu Framengo!
Sem chôro, sem vela ô dengo,
Pá maió tristêza minha!

Mai a surprêza inda vinha,
Ali, nessa ocasião.
Dondé qui vinha, eu não sei,
Mas ôvi um baruião!
Parecia uma trucida,
Gritano, chêia de vida,
Toda prosa e cunvincida:
- É gôl, é gôl do Mengão!!!

Meu Padin Ciço Rumão!
Eu fui preguntano anssin,
Mô Deuso, mais quê qui é isso?
Pois eu tô aqui sozin!...
De onde vem essa folia,
Os grito, as canturia,
Que tanto me arrelia,
É o mundo, que tá no fim?

Nessa hora, Sinhôzin,
Foi que eu dei de oiá pá tráiz!
E rezei, digêro, o Credo,
Não sei cuma fui capáiz!
Pois ali, nesse lugá,
Mais de cem cobra corá,
Num barulhão de lascá,
Gritava, quebrano a páiz !

Elas gritava dimais:
Viva, Viva, meu Mengão
Inda cantava e dançava,
Na maió das confusão!
Eu saí foi nas carrêra
E foi a vez derradêra
Qui iscuitei jôgo na bêra
De corqué um reberão!

Êsse causo, Meu Patrão,
Sinhô pode aquerditá!
Afirmo qui é verdade,
Saiu inté nos jorná!
De mentira eu nunca usei,
Mais, porém, agora eu sei
Purqui é prêto e vermêi
Côro de Cobra Corá!!!

 
Cê duvida, Sêo Môço? Antão... cê cria corage, e sai pur essas bêra de ri, caçano cobra corá! Se ocê achá uma, que nun sêje preta e vermêia, eu compro ela caro! E, se ela fô azul e branca, eu pago dobrado!
 
Quero mandá um forte abraço pro Meu Cumpade Rildo Moura, lá nos Istado Zunido! Ói, Meu Cumpade, campião, êsse ano, nóis num vai sê mais não. Mais caí pra sigundona, nem pensá! Deuzuliviguarde!
 

Muitho obrigado ocês tudo, que todo dia tá aqui mais eu, no Compdre Lemos Pontocom. E num isquece de vortá amanhã, não, viu? Vórta sim, purque amanhã... tem mais!

 

 
Fraterno abraço,
Compdre Lemos

Próximo Causo:

Publicado por Compadre Lemos em 15/10/2011 às 01h08
 
13/10/2011 23h03
O DIA QUÊU PESQUEI UMA LAVADÊRA



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O Dia Quêu Pesquei Uma Lavadêra!

 
Eitha, Meus Cumpade, Minhas Cumade, bom dia, boa tarde, boa noite! Ói nóis aqui travêz, móde trazê, procês tudo, mais um causo de pescaria!

E êsse causo de hoje é ispicial, purque, além de sê uma istóra de pescadô, é, tomém, um istóra de amô. Ocês aquerdita qui uma simpres pescaria, dessas ca gente faz quage todo dia, pode mudá compretamente a vida de um cirdadão, assim, duma hora pa ôta? Pois é o qui tá acunteceno cumigo!

Eu sei qui ocês num tá intendeno quage nada dessa minha prosa. Mai, daqui a puquin, ocês vai intendê. Iscuita o causo. Iscuita o causo, qui ocês intende!

E êsse causo de hoje, já qui é uma istóra de amô, eu vô dedicá prum um casal muitho bunito, lá da cidade de Wagner, na Chapada Diamantina, no Istado da Bahia. Esse casal tem a filicidade de vivê junto, tanto o Amô, quanto a Puisia. É o meu Cumpade Onildo Barbosa, grande poeta, e a esposa dele, Minha Cumade Clóris Andrade, qui, in matéra de Puisia, num fica pa tráis!

Antão, procês tudo, e, cum um carinho muito ispecial, pro Meu Cumpade Onildo mais Minha Cumade Clóris, eu vô contá procês 

O Causo do Dia Quêu Pesquei Uma Lavadêra!

Cês se acomoda, e prestenção:
 
Cumpade, já te falei,
Qui pescá é meu distino.
E tu pode aquerditá,
Num sô de andá mintino.
Dos pêxe qui hái no mundo,
Sêje do razo, ô do fundo,
Eu pesco derna minino!
 
Já pesquei pêxe malino,
Nas água funda do má.
Já pesquei pêxe de ri,
Sem dá conta de contá.
Nos açude, nas lagôa,
Sêje de bêra, ô canôa,
O meu negóço é pescá!
 
Pru Sinhô num duvidá,
Pru favô, assunta bem:
Vô dizê qui, eu pescano,
Num sobra prá seu ninguém!
Intonce, aqui, eu butei
Os pêxe qui eu já pesquei,
E os nome qui êles tem:
 
Eu já pesquei curinhém,
Acará, bagre e barbado,
Apará e aruanã,
Bicuda, carpa e dôrado,
Inchôva, piau, cação,
Curvina, landi e carpão,
Tucunaré e linguado!
 
Eu já pesquei namorado,
Piracanjuba e tainha,
Pêxe ispada e ispadarte,
Cum isca de pescadinha.
Eu já pesquei tubarão,
De barco, frexa e arpão,
E cum tarrafa de linha!
 
Eu já pesquei riscadinha,
Cioba e curimatã,
Piraíba e piapara,
Jaturana e matrinchã.
Já pesquei maria-da-toca,
Curundéia e cocoroca,
Jundiá e curimã!
 
Não qui eu sêje o bam-bam-bam,
Mai meu anzó num farsêia!
No má, pesquei cachalote,
Qué um tipo de balêia,
E o cumpade tá lembrado,
Num dia muntho azarado,
Eu pesquei duas serêia!
 
Prosa cumprida chatêia,
Mais eu vô continuá:
Já pesquei carapicu,
Guaivira e jaguriçá,
Marimbá liso e cascudo,
Óia, eu já pesquei de tudo,
O quê qui farta eu pescá?
 
Já pesquei inté piruá,
Marlin do branco e do azú,
Samambiquara e sagento,
Piranha, mero e pacu,
Tira-vira e tambaqui,
Roncadô e lambari,
Moréia e piavuçú.
 
Já pesquei o pêxe-urutu,
Venenôso feito o Cão,
E ôtos, qui num alembro,
Mi adiscurpe a distração.
Mai hôje eu vim ti contá
Um trem qui eu pude pescá,
Qui ninguém num pescô não!
 
Foi in certa ocasião,
No Ri de Conta, na chêia,
Queu cheguei mais Zé Pinguela,
Cumpanhêro bão de pêia,
Pá pescá uns trêiz piau
Móde levá pá Zé Cráu,
Meu cumpade, qui apricêia!
 
Butemo as traia na arêia,
Isquêmo logo os anzó,
Iscuiêmo um pôço fundo,
Donde êsse ri faiz um nó
E juguêmo os anzó nágua
E, móde curá as mágua,
Nóis dois tomava uns goró.
 
Os pêxe tava cum dó,
Num quiria biliscá.
Nóis inté trocô de isca,
Pá vê o trem miorá.
Mai o dia foi passano
E nóis, ali, isperano,
Sem nada pudê pescá.
 
De umas dez hora pra cá,
Parece inté brincadêra,
Mode piorá as coisa,
Nóis oviu uma baruiêra.
Intonce, vimo chegano,
Falano arto e cantano,
Um bando de lavadêra!
 
Aí, eu disse: Ô lasquêra!
Agora é qui piorô!
Cê drôme cum barúi dêsse,
E, dispôis, diz qui sonhô!
Meu cumpade, qué sabê?
Apôi, eu digo procê:
A pescaria acabô!
 
Zé Pinguela, antão, falô:
Paciênça, meu cumpade!
Essas mulé vai imbora,
Dispôis, nóis fica à vontade!
Mai tinha um trem mi contano
Qui dessa missa, Seu Mano,
Nóis num sabia a metade!
 
Pá lhe dizê a verdade,
Mêia hora num passô.
Derrepente, a gritaria
Das lavadêra omentô:
- Meu Jesuis, cadê Zefinha?
- Tava aqui, indagurinha!
- Será quéla se afogô?
 
Uma dona assim gritô
E as ôta gritô tomém.
- Zefinha, ondéc cê tá,
Quêu chamo e ocê num vem?
- Santantõe do Jiquiri!
- E se ela caiu no ri,
E foi-se imbora pu Além?
 
Derrepente, elas invém
Adonde eu tava pescano.
Chegaro, discabelada,
E fôro mi preguntano:
Sêu moço, cê viu Zefinha,
Uma moça moreninha
Qui tava mais nóis, lavano?
 
Eu disse: Num tava oiano
Ocês, pois tava ocupado.
Quereno pescá meus pêxe
Quêsse baruião danado.
A dona vai discurpá,
Mais adonde qui a môça tá,
Eu num tô bem informado.
 
- Seu môço,munhto obrigado
Móde  sua inducação.
Nóis tamo disisperada,
No calô dessa afrição.
E o sinhô, Deus mi acuda,
Num se méxe, nem ajuda,
E ainda passa sermão?...
 
Nessa hora, Meu Patrão,
Eu fiquei invergonhado.
A dona falô verdade,
Eu fui foi malinducado.
Pá ricunhecê a curpa,
Eu ia pidi discurpa,
Mai fui, na hora, ataiado.
 
Meu anzó ficô pesado,
Cum um peso qui eu nuca vi!
Deus do Céu, Vige Maria,
Quê qui será isso aqui?
E sem mai chôro e sem vela,
Cum ajuda de Zé Pinguela,
Eu tirei o trem do ri.
 
Foi nessa hora qui eu vi
Qui a sorte é mandraçêra!
O trem qui tava pesano,
Invergano a vara intêra,
Num era pêxe nem nada,
Era a mocinha afogada,
Era a Zefa Lavadêra!
 
Já na hora derradêra,
A moça tava é morreno.
Os pêitho num suspirava,
Nem subino, nem desceno.
Pensei cumigo: E agora?
O quê quêu faço, nessa hora?
Socorro eu fico deveno?
 
Meu Cumpade, ocê tá veno
Cumé cas coisa acuntece.
Quano eu vi, tava rezano,
Tava fazeno uma prece:
Vó Nacréta, mi oxilêia,
Qui a coisa aqui tá feia,
Sinão, a moça padece!
 
Apois, ocê num se isquece:
Vó Nacréta é quem me ampara
Nas situação difíce,
A móde eu num quebrá a cara.
Ela chegô e foi falano:
Meu fiin, tô lhe ordenano:
Bêja ela, quéla sara!
 
Essa órde foi tão crara,
E as palávra, tão pôca,
Qêu num pensei duas vêiz,
Ô, tarvêiz, me deu a lôca:
Garrei a môça deitada
E fiz, na póbe coitada,
Suspiração bôca-a-bôca!
 
Cumpade, num marquei tôca,
Puxei o á e soprei.
Na bôca da coitadinha,
Munthas vêiz eu suspirei!
Inté qui, in dado momento,
Eu sinti um muvimento
Na môça qui eu bejei.
 
Graças a Deus! Eu falei,
Minha Vó, muntho obrigado!
A moça ta suspirano,
Selviço tá compretado!
Meu Santo Padinho Ciço,
Tá cumprido o compromisso,
Qui Jesus seje lovado!
 
A moça tinha acordado,
Tontinha de fazê pena.
Mai, eu, reparano nela,
Vi quéra bela, a morena.
O bêjo, uma gustusura,
Era um manjá de doçura,
E a istatura... piquena.
 
Pá cumpretá essa cena,
As mãe dela agardiceu.
Muitho obrigado, Seu Moço,
Zefinha quaje morreu.
E, se nun fôsse o sinhô,
Um valente pescadô,
Ela num tava mais eu!
 
Meus peitho se istremeceu,
Ali, naquele momento.
Pois era a premêra vêiz
Qui eu tinha tal sintimento.
Pá incurtá a istóra,
Eu tô ino é lá, agora,
Móde tratá casamento!
 
Bateu paxão aqui dento,
Uma paxão verdadêra.
Eu, qui já pesquêi de tudo,
Pescadô a vida intêra,
Já me imagino é casado
Cum meu úrtimo pescado:
A Zefinha Lavadêra!
 
E quem pensá qui é bestêra,
Qué istóra de pescadô,
É qui nunca teve fé,
E nem nunca aquerditô
In Deus, qui ajuda a gente,
E mostra a nóis, derrepente,
Os caminho do amô!
 
Num vô sê mais pescadô,
Pru resto da vida intêra.
Já pesquei o qui eu quiria:
Uma bôa companhêra.
E nóis vai vivê juntin,
E ela, cuidân de mim,
Num vai sê mais lavadêra!
 
Apois, sorte?... É fiticêra!
Eu num vô facilitá.
Lavano rôpa, ela, um dia,
Pode, ôta vêiz, se afogá.
E se ôto pescadô
Pescá ela, Seu Dotô,
Cuma é qui eu vô ficá?
 
Uma mácna de lavá
Eu já comprei, nas carrêra.
Lavá rôpa?... Só in casa!...
Minha órde é derradêra!
Pois é só cum aligria
Qêu quero lembrá do dia
Quêu pesquei minha lavadêra!
 
 
Duvida, Meu Cumpade?... Pois daqui uns dia, se Deus quizé, vai sê ela, Zefinha, minha esposa, qui vai trazê um cafizin quintin, aqui na sala, pra nóis.
 
Eu quero mandá um abração dos mais carinhôso pro meu Compadre Onildo Barbosa, mais minha Cumade Clóris Andrade, lá na Chapada Diamantina, no Istado da Bahia. E desejá qui êsses dois continue, a vida intêra, a dividi, cum harmonia,  o Amô e  a Puisia tomém!
 
E quero, de novo, gardicê ocês tudo, pur visitá o Compadre Lemos Pontocom. E prestenção: amanhã cês vorta, viu? Mais vorta mês, purque amanhã... tem mais!

 
Fraterno abraço,
Compadre Lemos.

Próximo Causo:

Publicado por Compadre Lemos em 13/10/2011 às 23h03
 
13/10/2011 23h02
O CAUSO DA BALÊIA DE ÁGUA DÔCE
       


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O Causo da Balêia de Água Doce
 
Uai... cês já chegô? Tá isperano há muntho tempo? Cês discurpa a demora, mai é qui eu, mais o meu Meu Cumpade Zé Piqueno, nóis chegemo agurinha mês, lá da Praia do Tubarão, adonde nós foi sortá uma balêia qui eu pesquei ainda onte, aqui mês, no fundicasa.

-- Uai, Cumpade Lemos! E tem balêia de água dôce?

-- No Ri Sonfrancisco tem!... Cê querdita não? Antão, senta aí. Senta aí, qui eu vô contá o causo.

E êsse causo, eu quero dedicá pro Meu Cumpadre Valdir Oliveira, lá de Caieiras, no Istado  de Sumpaulo! Meu Cumpade Valdir é pueta, repentista, violêro e editor de Folhetos de Cordel.

Ele é o poprietário da Editora Canoa, qui faz questão de dá oportunidade aos puéta qui tão cumeçano  carrêra!

Antão, procês tudo e, de uma maneira ispicial, pro meu Cumpade Valdir Oliveira,

O Causo da Balêia de Água Doce.

Cumpade, duvida não,
Qui é móde num dá mancada!
Eu pesquei mêm, a balêia,
E num foi in água sargada.
Inda lhe digo: antes fôsse,
Pois balêia de água dôce
É muntho mais compricada!
 
Êitha istóra malcontada!
Ocê dév de tá pensano.
Ô num lhe tiro a razão,
Mais, tomém, vô ispricano:
O Sonfrancisco é ri grande
E, cas inchente, se ispande,
Cuma ocê vê, todo ano!
 
Apois, cê veja, meu mano,
O causo qui assucedeu:
Uma balêia das grande,
Na foz do ri, drumeceu.
Acordô, muitho assustada,
Causo de uma tropa armada,
Qui pru lá apareceu.
 
Um tár Tenente Rumeu,
Do Ingésto Brasilêro,
Quereno testá uns canhão,
Ordenô um tirotêro.
Quano os canhão pipocô,
A tár belêia acordô
Berrano, no disispêro!
 
Foi aquele distempêro,
Quessa balêia acordada!
Ela guinchava de susto,
Dando muntha rabanada.
Na hora da confusão,
A coitada, sem noção,
Se butô pá banda errada!
 
In vez de pegá a istrada
Lá pás banda do arto má,
Ela nadô ri acima,
No Véio Chico, a entrá!
E, na força do seu nado,
Atravessô trêis istado,
Inhantes de isbarrá.
 
Apois, é nisso qui dá
Assustá a Natureza.
Balêia de ri acima
Infrentano as cortentêza!
O bom é nóis, hôje in dia,
Respeitá a Ecologia
E dexá de marvadêza!
 
Botano as carta na mesa,
Móde o causo resumi,
Eu, cá in Mina Gerais,
Nas cabicêra do Ri,
Tava dano uma pescadinha
Cum anzole, vara e linha,
Móde pegá uns lambari.
 
Aderrepente, eu sinti
A vara muntho pesada!
Tinha pegado um trem grande,
Quéra mais de tonelada.
Eu fui puxano cum jeito,
Iscorano, aqui, no peito
A vara, toda invergada!
 
Moço, num lhe conto nada,
Do susto qui eu tomei!
Garrada no anzolin,
A tar balêia avistei!
Sem aquerditá naquilo,
A balêia de mil quilo
Pá fora dágua eu puxei!
 
Mai quano perto eu cheguei,
Eu oiei bem nos zói dela.
Tadinha, tava tremeno,
De susto, tava amarela.
Priguntei:  Dona Balêia,
Pru qui essa cara feia?
Ocê caiu da pinguela?
 
Ela me disse: É balela,
Intriga da oposição.
Tô assustada é cum mêdo
Móde uns tiro de canhão.
Eu nadei pá banda errada
E agora, tô atolada,
Pois caí na tua mão!
 
Sinhô tenha compaxão
E nun quêra me matá.
Eu tenho famia grande,
Oitho fia prá criá.
Seu moço, pru caridade,
Faça um ato de bondade,
E me sórta eu no má!
 
Meu ói garrô marejá
As lágma já iscorreno.
De matá, num deu corage,
E eu fiquei remueno:
Eu perciso qui sortá ela,
Mais é grande a esparrela,
Solução... eu nun tô veno!
 
Aí, chegô Zé Piqueno,
Cumpade meu, camionêro.
Foi logo me priguntano,
Que qui é isso, cumpanhêro?
Cê tá triste, pensativo?
Me diz aí o motivo,
Fartô mulé, ô dinhêro?
 
Eu disse: O Deus Verdadêro
É qui mandô ocê vin cá.
Qui é pá móde nois dois, junto,
Essa balêia ajudá.
Cumpade, cê prestenção:
Vai buscá seu caminhão
Qui nóis tem qui trabaiá.
 
E sem muntho delatá,
Ele trôxe o caminhão.
Butemo a balêia dento
E peguemo o istradão.
Cinco dia viajano,
E nóis já tava chegano
Na praia do Tubarão.
 
Tiremo do caminhão
A balêia, coitadinha.
Já quage morta de sede,
E sem cumê um nadinha.
Butamo a póbe no má
E, ela, inhânt  de nadá,
Falô essas palavrinha:
 
 Obrigado, gente minha,
Ocês sarvô minha vida.
Iscuita, antão, o Deus lhe Pague,
Da balêia agardicida.
Todo mundo agisse assim,
As mardade tinha um fim,
E era mais fáci a lida!
 
Qui bela missão cumprida,
Dá gosto intê de si vê!
Ocês dois seje o inxempro,
A móde o povo aprendê
A respeitá a Natureza,
A num perdê a nobreza,
E os mais fraco  defendê!
 
Cumpade, cê pode crê,
Caquilo quéla falô,
Eu falei cumigo mêrmo:
Num vô mais sê pescadô!
Comprei essa violinha
Qui anda bem afinadinha,
Móde eu sê só cantadô!
 
Jurei a Nosso Sinhô,
Qui é o Sinhô das Realeza,
Cantá pru bem dos que vive,
Lovano toda a beleza
De quem vive sem matá
Sem agridi, sem istragá,
Preseuvano a Natureza!
 
O mundo tá uma tristeza,
Mai a tristeza... quem trôxe?
Foi nóis mês, qui distrói tudo,
Cuma se dono, nóis fôsse!
Cumpade, duvida não,
E nunca isqueça a lição
Da balêia de água dôce!
 
Pois é, Cumpade! Se o sinhô duvidá, o caminhão de Zé Piqueno ainda ta aí fora. Vai lá, abre a porta do baú e sente o chêro de balêia! Eitha, qui tá pió qui  chêro de frigorífio!

Um grande e fraterno abraço pro meu Cumpade Valdir Oliveira, da Editora Canôa!

Ói, Meu Cumpade, ocê continua dano fôça pro Cordel, porque essa cultura tão linda, nóis num pode dexá morrê é nunca!
 
E ocês, vê se nun isquece de vortá amanhã, ta certo? Cês vórta mês, porque... amanhã tem mais
! 
 
Fraterno abraço,
Compadre Lemos.

Próximo Causo:

Publicado por Compadre Lemos em 13/10/2011 às 23h02
 
13/10/2011 23h00
O CAUSO DAS DUAS SERÊIA DEFERENTE
O Causo das Duas Serêia Deferente
 
Eitha, meus Cumpade! É desse jeito qui eu gosto! Ocês tudo aqui in casa,  móde nós contá uns causo inté mais tarde, móde nós tomá umas lapada dessa caninha boa, cum esse tiragostin de pêxe frito! Isso é qui é vida, né mês?  

Mió do que isso... nem pão cum ôvo!  Ô, pur ôta, mió que isso... é só pescá serêia de tarrafa!

O que? Cê nunca pescô serêia não? Mar môço!... Eu já pesquei foi duas duma vez! E era duas serêia mêi deferente! Qué sabê comé qui foi? Senta aí. Senta aí, que eu vô contá!

Êsse causo eu quero dedicá pra minha Cumade Regina Bizarro, lá do Rio de Janêro. Ela, qui é perfessôra, iscritôra de livro e poetisa tomém! Bunita e sabida, que só uma serêia!

Antão, procês tudo, e, cum um carinho muitho ispecial, pra Minha Comadre Regina,

 
O  Causo das Duas Serêia Deferente!
 
Eu já pesquei in lagôa,
In riacho e ribeirão,
Já pesquei in cachuêra,
E, tomém, num açudão.
Mai, parano pá pensá,
Nas água funda do má,
Num tinha pescado não!

Chamei antão meus irmão,
Zé Bento, Tromba e Jiló,
E fumo, bando de quato,
Pra praia do Brozogó,
A móde, de imbarcação,
Pescá ispada e cação,
E fazê forrobodó!

Cachaça tinha, sem dó,
E mais ôtos mantimento.
Cheguemo, fizemo fôgo,
Aprotegido do vento,
Assamo logo uma picanha,
E tome pinga nas banha,
No maió contentamento!

Certa hora, noite a dento,
Nois resorveu imbarcá
Numa canôa alugada
Na mão dos pôvo de lá.
As traia tudo certinha,
Tarrafa boa, de linha,
Móde os pêxe num sortá!

Apois, já in arto má,
Nós isbarremo, cum jeito.
Disinrrolemo as tarrafa,
Do modo certo e direito.
Cumecemo a tarrafiá,
Mai ali, no tal lugá,
O negóço tava istreito!

Quato home de respeito,
Quato grande pescadô,
Só qui os tal pêxe num vinha,
Nem móde fazê favô.
Quano a mêa-noite veio,
Cumpade, o trem ficô feio,
E o bicho antão, pegô!

Minha tarrafa pesô
Qui eu nun guentei arrastá.
Chamei logo meus irmão,
Mode pudê me ajudá.
Puxa, puxa qui ripuxa,
Parece coisa de bruxa,
Casada cum boitatá.

Mai nós consiguiu puxá
A tarrafa prá canôa.
Pêxe mêm, num tinha não.
Tinha é coisa bem mais bôa!
Um serêia tão linda,
Qui inté hoje eu lembro ainda,
E num tô falano à tôa!

Ela era branca, alemôa,
Dos cabelo fuguiado.
Os zoín verde marinho,
De ismerarda taiado,
Cumpade, num é balela,
Foi só eu oiá prá ela,
Pra ficá apaxonado!

E eu já tinha até pensado
In fazê decraração.
Ia vê se dava um jeito
De pidi a sua mão.
Mai nessa hora, Cumpade,
O que eu vi, na verdade,
Foi uma decepição!

A água fêiz um ondão,
E um trem dágua saiu.
Meus irmão, já, nessa hora,
Todos três no má caiu.
Eu fiquei só, na canoa,
Mais a tar serêia bôa
E o novo trem qui sugiu.

Pela “ponte que partiu”!
Qui a ôta palava é fêia,
O tal trem qui saiu dágua
Era uma ôta serêia,
Qui foi sortano a premêra,
Rasgano a tarrafa intêra,
Cá força de trêis balêia!

Eu, já sem sangue nas veia,
Assistia a confusão.
Quando as duas se sortaro,
Se oiáro cum emoção.
E assunta, qui coisa lôca:
Elas se bejô na bôca,
Era, as duas, sapatão!

Terminada a bejação,
Elas vortáro pu má.
As rizada quelas dava,
Inda hôj posso iscuitá.
Meu cumpade, assunta bem:
Pur órde de seu ninguém,
Nunca mais pesco no má!

Num quero discriminá
Mulé que ama mulé,
Nem home que ama home,
Cada um faz o qui qué.
Mai serêia sapatão?
Num quero pescá mai não,
Qui pesque lá quem quisé!

Eu falo e digo cum fé:
Foi verdade o qui contei.
Meus irmão tá aí de prova,
Pois os trêis inda sarvei.
Quem dissé que é mintira,
Pois vai lá, pesca e confira,
As sapatão que eu pesquei!

Eitha mundo véi virado, né mês, Compade? Óia, eu pensava qui é só in terra qui tinha dessas coisa! Pois num é qui essa moda chegô inté no arto má?... Danô-se!

O meu abraço carinhoso de hoje vai pra Minha Comade Regina Bizarro, lá do Rio de Janêro! Óia, Cumade, ocê continua insinano e cuntinua iscreveno, viu?  Porque o Brasil percisa muito é de Inducação e Curtura!

E munhto obrigado ocês tudo, que todo dia tá aqui mais eu, no Compadre Lemos Pontocom. E nun dêxa de vortá amanhã não, viu? Porque amanhã tem mais!

 
Fraterno abraço,
Compdre Lemos.

Próximo Causo:

Publicado por Compadre Lemos em 13/10/2011 às 23h00
 
13/10/2011 22h59
O CAUSO DO PÊXE INLÉTICO

 
 
 
O Causo do Pêxe Inlético
 
Uai!... Num é qui ocês vortô mêz? Antão, sêje tudo bem-vindo! Pode chegá, pode se acomodá, qui a casa é dos amigo!

Má Rapái, tá iscuro, lá fora, né não?... A noite tá, qui inté parece um breu!

Isso me faz lembrá um causo, qui aconteceu cumigo, há uns ano atráiz, pru conta de um iscurão mais pió do que êsse! Foi nêsse dia qui eu pesquei, pela premêra vez, o tár do Pêxe Inlético! Cês já ôviu falá? Pois tem!

Cês prestenção, qui eu conto o causo procês!

E esse causo, eu quero dedicá pro meu cumpade, meu amigo Alexandre Ribeiro, lá de Santa Luzia, pirtin de Belzonte! Cumpade Ribêro é cantadô, cumpusitô, violêro! É dos mais talentoso qui eu já vi! Tá cum disco novo, qui é uma maravia!

Ó só o nome do disco: Vielas Líricas!

Antão, procês tudo e, ipeciarmente, pro meu Cupade Ribêro...

 
O Causo do Pêxe Inlético.

 
Seu Dotô, cê prestenção
Na istóra qui eu vô contá.
Hái quem diga qui é mintira,
Qui eu num posso prová.
Hái quem diga qui é inluzão,
Qui minha imaginação
Num véve sem inventá!
 
Eu cunhêço meu lugá,
Tenho minhas humirdade.
Pur isso num minto não,
Respeito a sinceridade.
Antonce, eu juro pro cê
Qui tudin  qui eu vô dizê
É a mais pura verdade!
 
Foi no Córgo da Sodade,
Lá na Mata do Fundão,
Qui eu fui pescá um dia,
Numa certa ocasião.
Dessa vêiz, eu fui sozin
Pois cumpanhêro, pra mim,
Só serve, se fô dos bão!
 
Era mêi dia, um solão,
Qui chêga duía os ói.
Uma claridade branca,
Qui as treva tudo distrói.
Um calorão, eu suano,
Cheguei lá foi pedalano
Minha bicicreta Calói.
 
Cada um sabe onde dói
Seus calo, diz o ditado.
O calo pió, pra mim,
É pêxe arisco e safado,
Dêsses qui num bilisca,
Pru mió qui seje a isca
Qui o pescadô tenha usado.
 
Era justo nêsse istado
Qui tava a tal pescaria.
Quato hora de ispera!
Credo in cruiz, Ave Maria!
Os pêxe num biliscava,
E nem nas isca tocava,
Pió qui feitiçaria.
 
Nessa hora eu bem quiria
Vó Nacréta pá ajudá.
Mai nun tive essa coráge,
Nem num quis lhe incomodá.
Pois pisei na bola quéla
E num sabia a isparrela
Qui, se eu chamasse, ia dá!
 
Mudava, às vêiz, de lugá,
Móde vê se tinha jêito.
Trocava tomém de isca,
Mas os pêxe tava istrêito.
Antonce, aí, finarmente,
Meus ói fechô derrepente,
E bateu sono nos peito.
 
Sô pescadô e respeito
Minhas arte de pescá.
Eu nunca tinha drumido
Pescano, posso jurá.
Mai, nesse dia medonho,
Eu drumi de sonhá sonho,
E sem tê cuma ispricá.
 
Cumpade, no acordá,
Magina a situação:
Num tinha mai luz do dia,
Era tudo um iscurão!
O sol se tinha sumido
E eu, ali, aturdido,
Sem atiná cá razão!
 
Num era dinoite não!
Eu só drumi uma hora.
Intonce, cadê o sol?
A móde quê foi simbora?
Apois, ocê presta assunto,
Qui nóis já vai chegá junto
No finár de nossa istóra:
 
Eu percurei, sem demora,
Minha vara e meu anzó.
Quando eu achei a bichinha,
Tava pesada, qui só.
Eu falei: Eitha, danô-se,
Um trem grande aqui fisgô-se,
Seno assim, é mais mió!
 
Pra dexá de trololó,
Cumecei puxá o trem.
Puxa, arrasta, bota fôça,
Qui cum jêitin,  êle invém.
E, no mêi da iscuridão,
Butei pra fora o pêxão
Qui, de quilo, tinha uns cem!
 
Os mêdo qui a gente tem
Do iscuro é coisa antiga.
O pêxe gimia tanto,
Que paricia cantiga.
Mai, no quente dessa hora,
Eu joguei os mêdo fora,
E fui partino pá briga.
 
Se era o Nun-Sei-Qui-Diga,
O Capirôto, ô o Cão,
Eu nun sei nem lhe dizê,
No mêi daquêle iscurão.
Mai juntei minhas corage
E me atraquei cá vizage,
Rolano quela no chão.
 
Puxei, antão, meu facão
Mode matá o istupô.
Na  premêra facãozada,
O facão se alumiô!
O cabo virô uma luz
Bem dessas, qui, credincruz,
Tem nas casa dos Dotô!
 
Essa luz se inrradiô
Nessa mata, feitho um rái.
Eu pensei: Virge Maria!
É hôje qui a casa cai!
Mai quano eu vi o iscurão
Virado no tár clarão,
Eu falei: Agora vai!
 
Mi vála Deus, Adonai!
Padin Ciço, mi socorre!
Vô brigá mais êsse bicho,
Vamo vê quem é qui morre!
Pois pescadô qui é valente,
Seje pêxe, bicho, ô gente,
Cai brigano, mais num corre!
 
Num foi cachaça e nem porre,
Nem inluzão, nem mintira!
Briguei dois dia cum o pêxe
No garra, no fasta-e-vira!
E no finár, bem no fim,
Butei êle marradin,
Cum vinte quilo de imbira!
 
Meu facão, qui ninguém tira,
Fincado no tár pexâo,
Era mêrmo qui uma lâmpra,
Crariano a iscuridão.
Marrado na bicicreta,
Alumiô minha meta,
E eu vortêi, sarvo e são!
 
Carece de ispricação,
O que qui era o tár do trem.
Era o tár do Pêxe Inlético,
Quêsse  povo diz qui tem.
Eu, qui num aquerditava,
Pesquei um, e agora tava
Aquerditano tomém!
 
Num vô negá pá ninguém
Qui eu tive mêdo, Dotô!
Mai num foi do pêxe não,
Foi quano o Sór se apagô.
Mai, dispôis, mi ispricáro
Quisso é um fenômio raro,
Foi Ecrípes, sim sinhô!
 
A quem num mi aquerditô,
Eu num tem jêito prá dá.
Só mi resta, nessa hora,
A êsse um cunvidá:
Vômm na Mata do Fundão,
Quem sabe um ôto pexão
Cê num consegue pescá?
 
Apois, eu já oví falá
Qui inzéste o tár do cético.
O cabra qui num aquerdita
Nas históra de um profético.
Esse vai dexá de sê,
No dia qui sucedê
De pescá um Pêxe Inlético!


Querdita não, Cumpade?... Uai... Antão, vai lá! Vai na Mata do Fundão, buscá o seu! Aí, ocê passa a aquerditá!

Eu quero dexá aqui o meu abraço de irmão, pro Meu Cumpade Ribêro, desejano a ele todo o sucesso do mundo, pro seu novo disco.

E quero tomém gardicê ocês tudo, qui tá sempre aqui cumigo, no Compadre Lemos Pontocom.

E óia, num isquece não! Amanhã, cês vórta! Mais vórta mêss, pruque amanhã tem mais!

 
Fraterno abraço,
Compadre Lemos.

Próximo Causo:

Publicado por Compadre Lemos em 13/10/2011 às 22h59



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