CompadreLemosPontocom

O Poeta?... Um girassol, sempre em busca da luz!

Áudio

PATATIVA - 85 ANOS - Patativa do Assaré
Data: 11/06/2008
Créditos:
Títulos:

1 - O Operário e o Agregado
Autor e Intérprete: Patativa do Assaré
Gênero - Poema Sertanejo

2 - Patativa do Assaré - 85 Anos de Luz, Amor e Poesia
Autores e Intérpretes: Geraldo Amâncio, Ivanildo Vilanova, Oliveira de Panelas e Otacílio Batista.

Fonte: Disco "Patativa - 85 Anos de Poesia"
Projeto da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Ceará - 1997 - Crato - CE.

Pesquisa:
*]*
.Compadre Lemos

ESTE SITE NÃO TEM FINS LUCRATIVOS - SÓ DIVULGAMOS CULTURA!

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autor: Compadre Lemos). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

                                                   


O Operário e o Agregado
                                                                   Patativa do Assaré

Sou matuto do Nordeste,
Criado dentro da mata.
Caboclo cabra da peste,
Poeta cabeça-chata.
Por ser poeta roceiro,
Eu sempre fui companheiro
Da dor, da mágoa e do pranto.
Por isso, por minha vez,
Vou falar para vocês
O que é que eu sou e o que eu canto:

Sou poeta agricultor,
Do interior do Ceará.
A desdita, o pranto e a dor,
Canto aqui e canto acolá.
Sou amigo do operário
Que ganha um pobre salário,
E do mendigo indigente.
E canto com emoção
O meu querido sertão
E a vida de sua gente.

Procurando resolver
Um espinhoso problema,
Eu procuro defender,
No meu modesto poema,
Que a santa verdade encerra,
Os camponeses sem terá
Que os céus desse Brasil cobre,
E as famílias da cidade
Que sofrem necessidade,
Morando no bairro pobre.

Vão no mesmo itinerário,
Sofrendo a mesma opressão.
Na cidade, o operário;
E o camponês, no sertão.
Embora, um do outro ausente,
O que um sente, o outro sente.
Se queimam na mesma brasa
E vivem na mesma guerra:
Os agregados, sem terra;
E os operários, sem casa.

Operário da cidade,
Se você sofre bastante,
A mesma necessidade
Sofre o seu irmão distante.
Sem direito de carteira,
Levando vida grosseira,
Seu fracasso continua.
É grande martírio aquele
A sua sorte é a dele
E a sorte dele é a sua!

Disso, eu já vivo ciente:
Se, na cidade, o operário
Trabalha constantemente
Por um pequeno salário,
Lá no campo, o agregado
Se encontra subordinado
Sob o jugo do patrão,
Padecendo vida amarga,
Tal qual o burro de carga,
Debaixo da sujeição.

Camponeses, meus irmãos,
E operários da cidade,
É preciso dar as mãos
E gritar por liberdade.
Em favor de cada um,
Formar um corpo comum,
Operário e camponês!
Pois, só com essa aliança,
A estrela da bonança
Brilhará para vocês!

Uns com os outros se entendendo,
Esclarecendo as razões.
E todos, juntos, fazendo
Suas reivindicações!
Por uma Democracia
De direito e garantia
Lutando, de mais a mais!
São estes os belos planos,
Pois, nos Direitos Humanos,
Nós todos somos iguais!


 ***


Patativa do Assaré,
85 Anos de Luz e Poesia.


Autores: Geraldo Amâncio, Ivanildo Vilanova, Oliveira de Panelas e Otacílio Batista.


Mote:

Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!



Fenômeno do Ceará,
Da Cultura, chama viva,
O vulgo de Patativa,
Nun canto de sabiá!
A idade, o tempo dá,
Hora, mês, semana e dia
O poema, ele é quem cria,
Com emoção e vontade.
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


Ninguém pode se igualar
Ao genial Patativa,
A maior expressão viva
Da Cultura Popular.
Devia, em todo lugar,
Ter sua fotografia
Como honra e cortesia,
Seu busto em toda cidade.
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


O sol abriu os proscênios,
Louvando o grande poeta,
Que, felizmente, completa
Seus oito e meio decênios.
Na galeria dos gênios,
Tem foto e biografia,
Caminho, ramal e guia
De justiça e liberdade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


“Triste Partida” ainda está
Sendo a maior obra sua,
Disse ao poeta da rua:
“Cante lá que eu canto cá”.
“Vaca Estrela e Boi Fubá”
Tudo é de sua autoria.
Enquanto Nanã morria,
Viu, da fome, a crueldade.
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


Ex-cantador, violeiro,
E glosador ainda é,
Não é só do Assaré,
Que hoje é do mundo inteiro.
Casado, sem ter herdeiro,
Pra tanta sabedoria,
Filho nenhum herdaria
Tamanha capacidade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


Sei que o tempo tudo estraga,
Mas ele está preservado.
Por ser imortalizado
Por Fagner e Luiz Gonzaga.
Sua estrela não se apaga,
Não morre a sua energia
Deus é Seu Pai e Seu Guia,
Lhe deu a Imortalidade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


Não sendo proprietário
De ouro, prata nem zinco,
Já rasgou oitenta cinco
Folhinhas num calendário.
Alcançar o Centenário
É a sua fantasia,
Mais livros escreveria,
Mais sonhos, mais novidade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


Escreve, prestando pleito
Ao campônio pobre e triste,
Também descobriu que existe
Prefeitura sem prefeito!
Vê a tragédia do eito,
Clama, grita e denuncia.
Luta contra a hipocrisia
Descaso de autoridade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


Belinha embeleza o ninho
A quem Patativa ama,
Com ela divide a fama,
A idade e o carinho!
Pena Branca e Xavantinho,
Que cantam com maestria,
Regravaram melodia
Da sua propriedade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


O seu verso é sua tenda,
Onde escreve na escala,
Do jeito que o povo fala,
Para que o roceiro entenda!
Anel, diploma, comenda,
Pra ele, não tem valia.
Ele mesmo é a Academia,
A escola e a faculdade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!


A sua escola não é
A mesma de Ariano,
José Lins, Graciliano,
João Cabral, José Condé!
Patativa do Assaré
Não imita, não copia,
Não burla, não parodia,
Tem a própria identidade!
Oitenta cinco de idade,
De luz e de poesia!



Ouça este texto, na íntegra, na Seção "Ádios - Voz"


Fraterno abraço,

                            


Este site não tem fins lucrativos.
Nós apenas divulgamos Cultura Popular.

CL

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autor: Compadre Lemos). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.



Comentários



Crie o seu próprio Site do Escritor no Recanto das Letras