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Áudio
Algumas de Patativa - Patativa do Assaré
Data: 11/06/2008
Créditos:
Título:
1 - "Eu Quero!
2 - Nordestinados, Não!
3 - Viva o Povo Brasileiro!
Autor: Antônio Gonçalves da Silva - O Patativa do Assaré
( Assaré - CE - 05/05/1.909 - Assaré - CE - 08/06/2.002 )
Gênero: Literatura de Cordel
Estilo: Poema Sertanejo.
Fonte - "Memória do Povo Cearense" Disco Independente - 2.000 - Álbum produzido por Calé Alencar, Rosemberg Cariry e Gylmar Chaves
Pesquisa:
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.Compadre Lemos.
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 Eu quero Patativa do Assaré Quero um chefe brasileiro Fiel, firme e justiceiro Capaz de nos proteger Que do campo até à rua O povo todo possua O direito de viver Quero paz e liberdade Sossego e fraternidade Na nossa pátria natal Desde a cidade ao deserto Quero o operário liberto Da exploração patronal Quero ver do Sul ao Norte O nosso caboclo forte Trocar a casa de palha Por confortável guarida Quero a terra dividida Para quem nela trabalha Eu quero o agregado isento Do terrível sofrimento Do maldito cativeiro Quero ver o meu país Rico, ditoso e feliz Livre do jugo estrangeiro A bem do nosso progresso Quero o apoio do Congresso Sobre uma reforma agrária Que venha por sua vez Libertar o camponês Da situação precária Finalmemte, meus senhores, Quero ouvir entre os primores Debaixo do céu de anil As mais sonoras notas Dos cantos dos patriotas Cantando a paz do Brasil
*** Nordestinos, Sim. Nordestinados, Não! Patativa do Assaré Nunca diga nordestino Que Deus lhe deu um destino Causador do padecer Nunca diga que é o pecado Que lhe deixa fracassado Sem condições de viver Não guarde no pensamento Que estamos no sofrimento É pagando o que devemos A Providência Divina Não nos deu a triste sina De sofrer o que sofremos Deus, o Autor da Criação, Nos dotou com a Razão, Bem livres de preconceitos. Mas os ingratos da terra, Com opressão e com guerra, Negam os nossos direitos! Não é Deus Quem nos castiga, Nem é a seca que obriga Sofrermos dura sentença! Não somos nordestinados Nós somos injustiçados Tratados com indiferença! Sofremos, em nossa vida, Uma batalha renhida, Do irmão contra o irmão. Nós somos injustiçados, Nordestinos explorados, Mas nordestinados, não! Há muita gente que chora, Vagando de estrada afora, Sem terra, sem lar, sem pão. Crianças esfarrapadas, Famintas, escaveiradas, Morrendo de inanição. Sofre o neto, o filho e o pai. Para onde o pobre vai, Sempre encontra o mesmo mal. Esta miséria campeia Desde a cidade à aldeia, Do Sertão à capital. Aqueles pobres mendigos Vão à procura de abrigos, Cheios de necessidade. Nesta miséria tamanha, Se acabam na terra estranha, Sofrendo fome e saudade! Mas não é o Pai Celeste Que faz sair do Nordeste Legiões de retirantes! Os grandes martírios seus Não é permissão de Deus: É culpa dos governantes! Já sabemos muito bem De onde nasce e de onde vem A raiz do grande mal: Vem da situação crítica, Desigualdade política Econômica e social Somente a fraternidade Nos traz a felicidade. Precisamos dar as mãos! Para que vaidade e orgulho Guerra, questão e barulho Dos irmãos contra os irmãos? Jesus Cristo, o Salvador Pregou a paz e o amor Na santa doutrina sua. O direito do banqueiro É o direito do trapeiro Que apanha os trapos na rua! Uma vez que o conformismo Faz crescer o egoísmo E a injustiça aumentar, Em favor do bem comum, É dever de cada um Pelos direitos lutar! Por isso vamos lutar, Nós vamos reivindicar O direito à liberdade, Procurando, em cada irmão, Justiça, paz e união, Amor e fraternidade! Somente o amor é capaz E dentro de um país faz Um só povo bem unido! Um povo que gozará Porque assim já não há Opressor nem oprimido!
*** Viva o Povo Brasileiro Patativa do Assaré Quando passar a chacina, Que surge, de dia a dia, E o tráfico de cocaína, E a real democracia Seguir os caminhos certos, E os Chicos Mendes, libertos, Das balas do pistoleiro, Diremos, de nossa terra, Por vales, sertão e serra: Viva o Povo Brasileiro! Quando o artista que tem fama E ocupa o televisor Só apresentar programa De moral, de paz, de amor, Quando o cruel mercenário, Esse monstro sanguinário, Deixar de ganhar dinheiro Pra matar seu semelhante E não houver assaltante... Viva o Povo Brasileiro! Quando o infeliz agregado Se libertar do patrão, Para morar, sossegado, No seu pedaço de chão, Quando uma Reforma Agrária, Que sempre foi necessária, Para o caboclo roceiro For criada e registrada, Em nossa pátria adorada... Viva o Povo Brasileiro! O sonho de nossa gente Foi sempre viver feliz! Trabalhando, independente, Em nosso grande país! Quando o momento chegar, Do nosso Brasil pagar O que deve ao estrangeiro, O maior prazer teremos E, libertos, gritaremos: Viva o Povo Brasileiro! *** Ouça este texto na Seção "Áudios / Voz"  Este site não tem fins lucrativos. Nós apenas divulgamos Cultura Popular. |
Compadre Lemos |
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